O problema da traduzibilidade de um texto é sustentado por sua interpretação. O fato da tradução obter certo grau de autonomia em certas obras, não significa que sua traduzibilidade seja imune as mudanças de seu significado, supostamente, corrompido pela essência do original e que, evidententemente, não consegue ser totalmente fiel. Permitindo a visualização de cópias publicadas em diferentes versões do ensaio "A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica" de Walter Benjamin, inicialmente publicado em 1935, a ação foi realizada em uma gráfica rápida e consistiu-se na identificação de diferenças e semelhanças de traduções para a língua portuguesa das primeiras edições às versões mais recentes do ensaio, em um estudo comparativo. As páginas xerocadas foram agrupadas e sobrepostas em sequências correspondentes, sendo reproduzidas em três cópias em uma tiragem de dez exemplares. Ao reconhecer que toda tradução é uma maneira provisória de ocupar a língua e, também, considerando-a uma solução temporária que nega a possibilidade de resolver ou superar diretamente um texto, a ação reivindicou a característica de durabilidade do ensaio, ao progredir em direção às diversas edições traduzidas. Essa impossiblidade de encontrar um ponto ou simplismente estar à altura do original corresponde a uma forma objetiva e determinista, na qual a tradução, por mais completa que seja, nada significa para o original e, mesmo assim, mantém seu vínculo estreito e íntimo, pois nada tem a ver com a semelhança de imitação ou, simplesmente, sua fidelidade.

 

tradução, 2019

ação de 3:36' 
livro de artista, 60 páginas [s/tiragem]

xerox sobre papel 90g

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