Sergio Augusto Medeiros (n. 1993) é artista visual cuja produção investiga os regimes de visibilidade e os modos de circulação do conhecimento técnico-científico. Doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Artes pela mesma instituição e graduado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá. Suas investigações são desenvolvidas em laboratórios, acervos, bibliotecas e coleções especiais de instituições científicas. Projetos de sua autoria, selecionados e premiados, foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, com participações em bienais, festivais e ocupações artísticas. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.
A apropriação de dispositivos de visualização empregados na quantificação, descrição e classificação de dados e fenômenos estrutura um percurso articulado a procedimentos de busca, análise e síntese, voltados ao rastreamento histórico de conceitos, métodos e teorias oriundos de diferentes campos do saber. Os projetos demandam formulações metodológicas de caráter experimental, bibliográfico, exploratório e ficcional, recorrendo a documentos científicos, arquivos, espécimes e instrumentos como matéria de inscrição e evidência. Seus desdobramentos assumem a forma de ilustrações, fotografias, programas computacionais, vídeos, instalações e publicações. Determinadas etapas desse processo, por sua vez, são compartilhadas em congressos, seminários e colóquios.

Em uma das etapas do projeto foi realizado o estudo baseado nas ilustrações produzidas por Francisco Freire Alemão (1797–1874), naturalista que participou da Comissão Científica de Exploração, organizada pelo Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro entre 1859 e 1861. Durante essa expedição foram coletados numerosos espécimes vegetais e elaborados desenhos e aquarelas das espécies registradas, atualmente preservados na coleção transferida em 1968 para a Fundação Biblioteca Nacional. A partir desse conjunto documental foram reunidos registros de exsicatas e imagens iconográficas históricas, organizados em uma base de dados relacional destinada à comparação das denominações presentes nas etiquetas botânicas. O procedimento permitiu acompanhar alterações nomenclaturais ao longo do tempo por meio do cruzamento entre acervos de herbários, bases taxonômicas e documentos históricos digitalizados.
A sinonímia taxonômica refere-se à atribuição de diferentes denominações científicas a uma mesma espécie, decorrente de redescrições, mudanças nos critérios classificatórios ou reclassificações baseadas em novos estudos botânicos. No projeto, foi organizado um banco de dados com registros de exsicatas provenientes de herbários, correlacionados a ilustrações históricas de plantas. O levantamento concentrou-se na análise de etiquetas e manuscritos botânicos, visando comparar denominações ao longo do tempo e identificar variações nomenclaturais. A partir desse material, estruturou-se um conjunto de dados relacional que permite acompanhar processos de reidentificação taxonômica, mapear a trajetória dos nomes científicos e examinar revisões classificatórias de espécies descritas no contexto do Brasil imperial. A pesquisa envolve a digitalização de documentos históricos, a organização de bases de dados de espécimes, a consulta a sistemas taxonômicos atualizados e a análise comparativa com coleções institucionais.
Este projeto foi desenvolvido com base na Coleção Freire Alemão, pertencente ao acervo da Divisão de Manuscritos da Fundação Biblioteca Nacional, em um banco de dados de espécies vegetais registradas em exsicatas de diferentes centros de pesquisa, disponibilizado pela rede speciesLink, e em consultas à base de dados Web of Science.





Sinonímia Taxonômica
2025-2026. Série realizada a partir de materiais diversos como ilustrações, gravuras e exsicatas pertencentes a instituições de pesquisa, registros fotográficos, álbuns botânicos e publicações ilustradas reimpressos a laser sobre papel cartão 70 g, cuja organização e cruzamento de dados foram conduzidos por meio da construção de bases relacionais e do uso de ferramentas de programação voltadas à análise e comparação de registros taxonômicos, com protótipo montado em caixotes de MDF laqueado e vidro, além de montagens em passe-partout em dimensões variáveis.
2026. Comunicação oral intitulada “Reconhecimento Computacional de Nomenclatura Botânica”, apresentada no 25º Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, Universidade de Brasília (UnB).