Sergio Augusto Medeiros (1993) possui graduação em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá e títulos de mestre e doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Suas pesquisas foram subsidiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pela Fundação Araucária. Seus projetos foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições como o Centro Cultural UFMG, a Fundação de Arte de Ouro Preto, a Bienal Internacional de Arte de Cerveira e o Centre Culturel du Brésil, além de participações em festivais e ocupações artísticas nacionais e internacionais. Recebeu prêmios e reconhecimentos em editais e programas públicos, incluindo o Prêmio Funarte Marc Ferrez de Fotografia, a Premiação Cultural Aldir Blanc, o Prêmio Arte Salva e o Prêmio Cine-Fórum de Ciência e Cultura. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil.

Este projeto propõe a inoculação de pragas e patógenos em ilustrações científicas produzidas por naturalistas estrangeiros nos séculos XVIII e XIX, que retrataram espécies vegetais endêmicas da América Latina. Nessas ilustrações botânicas, são inseridas lacerações de lagartas desfolhadoras, danos provocados por besouros folívoros, cochonilhas, minadores foliares, ácaros e colônias de fungos necrosantes, atuando como agentes ativos de deterioração. O resultado são folhagens que passam a apresentar galerias, necroses, mordidas e secreções, constituindo um conjunto de plantas infestadas que perturbam o controle visual característico da observação científica colonial.
Esta pesquisa foi desenvolvida com base nos acervos da Biblioteca del Real Jardín Botánico e da Biodiversity Heritage Library, além de artigos científicos da área botânica disponíveis em repositórios de acesso aberto, como o SciELO (Scientific Electronic Library Online) e o Repositório Institucional da Embrapa.

Na primeira etapa da pesquisa, foram utilizadas ilustrações botânicas da Flora de la Real Expedición Botánica del Nuevo Reino de Granada (1783–1816), dirigida pelo naturalista espanhol José Celestino Mutis. Ao longo de aproximadamente vinte e cinco anos, Mutis coordenou um vasto levantamento científico que percorreu cerca de oito mil quilômetros quadrados de território, explorando diferentes ecossistemas e utilizando o rio Magdalena como principal via de acesso ao interior. Seu método combinava a coleta de exemplares em campo com descrições minuciosas, nas quais registrava o ambiente natural, as características morfológicas e os usos potenciais de cada espécie. A expedição resultou na descoberta e descrição de centenas de plantas, e enviou à Espanha mais de oito mil ilustrações, além de mapas, correspondências, anotações e manuscritos. O acervo reunido incluía cerca de vinte e quatro mil amostras herborizadas, cinco mil desenhos produzidos por seus discípulos e uma variada coleção de madeiras, conchas, resinas, minerais e peles.

Inoculação Experimental
Reconstituição de pranchas botânicas com intervenções em ilustração científica. Aquarela e lápis de cor sobre papel para aquarela grão satinado, 300 g/m², em dimensões variáveis. Montagem prototípica sobre placa de madeira (120× 90 cm), fixada com parafusos metálicos.
2024–2026