Sergio Augusto Medeiros (1993) possui graduação em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá e títulos de mestre e doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Suas pesquisas foram subsidiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná. Seus projetos foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, além de participações em bienais, festivais, ocupações artísticas e eventos científicos. Recebeu prêmios e reconhecimentos em editais e programas públicos. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.


Este estudo analisa a dimensão geopolítica dos objetos celestes, como satélites, meteoros e fenômenos não identificados, e sua operação enquanto alegorias de intervenção estrangeira. O ponto de partida é o longa-metragem brasileiro O Homem do Sputnik (1959), que insere o primeiro satélite artificial da história, lançado pela União Soviética em 1957, em uma narrativa paródica e crítica. A pesquisa desenvolve-se por meio da justaposição de imagens autênticas, materiais de arquivo e cenas cinematográficas, examinando os regimes de visibilidade que envolvem a percepção desses fenômenos no espaço atmosférico e orbital. A investigação se estende a outros eventos celestes registrados no Brasil desde 1952, evidenciando como tais ocorrências mobilizam repertórios simbólicos ligados à vigilância tecnocientífica. O título do projeto faz referência direta a uma das cenas do filme O Homem do Sputnik.
A pesquisa, desenvolvida com base na filmografia da Cinemateca Brasileira e no acervo do Fundo Objeto Voador Não Identificado, pertencente ao Arquivo Nacional do Brasil, teve parte de seus resultados apresentados em formato de pôster acadêmico e artigo científico durante o 5º Cine-Fórum, evento promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Letras da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), no Grupo de Trabalho 4: Arte, Performances e Representações. O trabalho foi agraciado com o Prêmio Cine-Fórum de Ciência e Cultura, concedido a uma das melhores apresentações da quinta edição do evento.



Como continuação das investigações realizadas no âmbito deste projeto, desenvolveu-se a triagem de documentos relacionados ao espaço atmosférico e orbital brasileiro, com ênfase na emergência e na circulação de distintas categorias de fenômenos, sejam eles naturais, artificiais ou ficcionais, como meteoros, satélites e objetos não identificados. A pesquisa abrangeu seis casos, selecionados em função de sua relevância histórica e da densidade informacional que apresentam: os avistamentos registrados na Barra da Tijuca em 1952; os episódios fotográficos na Ilha da Trindade em 1958; a Operação Prato, conduzida pela Força Aérea Brasileira entre 1977 e 1978; o incidente conhecido como Caso Varginha, ocorrido em 1996; a Missão Espacial Amazônia 1, desenvolvida em 2021; e, ainda nesse mesmo ano, o impacto de um meteoro no estado do Paraná.


A etapa do projeto registrada abaixo dedicou-se à análise do longa-metragem O Homem do Sputnik (1959), como estudo de caso sobre a maneira pela qual o cinema brasileiro ressignificou discursos tecnocientíficos em meio às tensões da Guerra Fria. A investigação mobilizou metodologia interdisciplinar, articulando análise fílmica, pesquisa historiográfica e consulta a periódicos e documentos de censura da época. Enquanto recorte de um projeto em desenvolvimento, esta etapa contribuiu para compreender a chanchada como espaço de elaboração estética e política. Nessa fase, especificamente fílmica, delineia-se uma cartografia das mediações culturais que o cinema brasileiro estabeleceu diante das narrativas hegemônicas de progresso e modernização.


Na etapa atual do projeto, foram desenvolvidos novos modos de exibição da documentação relacionada a objetos não identificados, com ênfase nos procedimentos de descrição, classificação, catalogação, registro e identificação. Este segundo protótipo parte da visualização de relatórios restritos, memorandos técnicos e matérias jornalísticas referentes à percepção pública desses episódios. A organização desse material busca evidenciar ocorrências diante dos regimes de produção, circulação e enquadramento desses registros, revelando como o Estado, a imprensa e diferentes instâncias de mediação constroem narrativas divergentes sobre um mesmo fenômeno. A ampliação do acervo documental, em constante desenvolvimento, pretende fortalecer a investigação em curso e propor uma leitura crítica dos modos como o país historiciza seus próprios enigmas celestes.


Departamento de Pesquisas Interplanetárias
Instalação composta por recortes do filme dirigido por Carlos Manga, imagens de satélites, meteoros e objetos não identificados, articulados a documentos de arquivo. O vídeo-montagem encontra-se em exibição em um televisor de tubo da década de 1950, acompanhado por fichários, uma mesa com tampo de vidro contendo impressões a laser em papel ofício, cadernos com recortes de jornais e vitrines de acrílico com dimensões aproximadas de 120 × 40 × 25 cm, na qual são apresentados pôsteres, documentos técnicos e relatórios datilografados. Integram-se um pôster acadêmico e um artigo científico publicado como capítulo de livro Fenômenos Não Identificados, Meteoros e Satélites, Fragmentos do tempo, Editora Coletivo Cine-Fórum.
2021–2025
