Sergio Augusto Medeiros (n. 1993) é artista visual cuja prática se concentra no conhecimento tecnológico do tipo científico. Doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Artes pela mesma instituição e graduado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá. Suas pesquisas foram desenvolvidas em laboratórios, acervos, bibliotecas e coleções especiais de instituições científicas. Projetos de sua autoria, selecionados e premiados, foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, com participações em bienais, festivais e ocupações artísticas. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.
A apropriação de modelos de visualização utilizados na quantificação, descrição e classificação estrutura uma prática articulada a procedimentos de busca, análise e síntese voltados ao rastreamento histórico de conceitos, métodos e teorias provenientes de diferentes campos do conhecimento. Os projetos demandam formulações metodológicas de caráter experimental, bibliográfico, exploratório e ficcional, recorrendo a materiais referenciais. Seus desdobramentos assumem a forma de ilustrações, fotografias, programas computacionais, vídeos, instalações e publicações, enquanto determinadas etapas são compartilhadas em congressos, seminários e colóquios.
Este projeto parte de uma leitura comparativa de cópias publicadas em diferentes versões do ensaio "A obra de arte na era da sua reprodutibilidade técnica" de Walter Benjamin, publicado originalmente em 1935, investigando as divergências e convergências terminológicas entre traduções para a língua portuguesa desde as primeiras edições até as versões mais recentes. Reconhece, a partir de "A Tarefa do Tradutor" (1923) do mesmo autor, que toda tradução constitui uma ocupação provisória da língua, uma solução temporária que nega a possibilidade de resolver ou superar diretamente um texto. A partir dessa premissa, desdobra-se em etapas que articulam a ação performativa em espaço gráfico, a produção de publicações impressas e a inserção do resultado no acervo institucional de origem.
Esta pesquisa foi conduzida na Biblioteca Professor Antônio Luiz Paixão, vinculada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Em uma dos estágios do projeto, todos os exemplares disponíveis do ensaio foram reunidos por meio de empréstimo da Biblioteca Professor Antônio Luiz Paixão, vinculada à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade Federal de Minas Gerais, e levados a uma gráfica em Belo Horizonte reservada especialmente para a realização da ação. O procedimento consistiu na sobreposição sequencial das páginas correspondentes entre todos os exemplares, de modo que cada página de uma edição fosse confrontada com sua equivalente nas demais, permitindo que os termos traduzidos se fundissem e que as variações terminológicas entre as versões se tornassem legíveis como camadas de uma mesma enunciação. Esse exercício xerográfico, com duração aproximada de quarenta e sete minutos, foi integralmente registrado como material audiovisual e resultou em publicações impressas e encadernadas em formato de livro, produzidas em tiragem de dez exemplares, cada uma correspondente ao conjunto de fotocópias produzidas nessa sobreposição.




Em outra etapa, o exemplar resultante da ação foi devolvido à mesma biblioteca, onde foi catalogado e inserido junto à seção dedicada a Walter Benjamin. Ao ocupar o mesmo espaço institucional de onde os exemplares originais foram retirados, a ação completa seu circuito e propõe uma interferência no acervo, instaurando uma publicação que carrega simultaneamente as marcas de todas as traduções. As terminologias identificadas ao longo do processo formarão futuramente um corpus textual a ser analisado, reinvestigando os processos, métodos e implicações históricas e linguísticas envolvidos na transposição de textos entre línguas e examinando de que maneira as escolhas tradutórias constroem sentidos, refletem contextos de produção e transformam a recepção das obras ao longo do tempo.

Tradução Tradução
2019-2021. Ação performativa com duração de quarenta e sete minutos, realizada em gráfica rápida, desdobrada na produção de livro de artista e material audiovisual, com impressão xerográfica sobre papel offset 90 g, capa 300 g e miolo costurado, aproximadamente cento e dez páginas e tiragem de dez exemplares.