Sergio Augusto Medeiros (n. 1993) é artista visual cuja prática se concentra no conhecimento tecnológico do tipo científico. Doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Artes pela mesma instituição e graduado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá. Suas pesquisas foram desenvolvidas em laboratórios, acervos, bibliotecas e coleções especiais de instituições científicas. Projetos de sua autoria, selecionados e premiados, foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, com participações em bienais, festivais e ocupações artísticas. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.
A apropriação de modelos de visualização utilizados na quantificação, descrição e classificação estrutura uma prática articulada a procedimentos de busca, análise e síntese voltados ao rastreamento histórico de conceitos, métodos e teorias provenientes de diferentes campos do conhecimento. Os projetos demandam formulações metodológicas de caráter experimental, bibliográfico, exploratório e ficcional, recorrendo a materiais referenciais. Seus desdobramentos assumem a forma de ilustrações, fotografias, programas computacionais, vídeos, instalações e publicações, enquanto determinadas etapas são compartilhadas em congressos, seminários e colóquios.

Dedicado ao exame da circulação de reproduções de esculturas atribuídas a Antônio Francisco Lisboa (1738–1814), o projeto reúne documentos históricos, fotografias, cartões-postais, selos e outros impressos relacionados ao patrimônio barroco, organizados a partir de levantamento bibliográfico e arquivístico. Ao longo do processo, esse conjunto documental passa por análise por visão computacional, mediante procedimentos de segmentação por instância que produzem máscaras, caixas delimitadoras e índices probabilísticos de reconhecimento aplicados aos registros fotográficos, integrando protocolos de identificação e classificação de objetos ao processo de investigação.
Esta pesquisa foi desenvolvida a partir do acervo da Coleção de Réplicas e Obras de Arte Mundiais e do Laboratório de Fotodocumentação Sylvio de Vasconcellos, ambos vinculados ao Museu da Escola de Arquitetura da UFMG.


Para essa etapa, foi empregado um sistema de visão computacional capaz de realizar simultaneamente a detecção de objetos e a segmentação por instância. O modelo identificou regiões de interesse, classificou cada objeto detectado de acordo com o conjunto de classes previamente definido para a tipologia das esculturas, gerou uma máscara de segmentação delimitando seus contornos e calculou um índice de confiança associado a cada predição. O procedimento envolveu o treinamento do modelo a partir de exemplares anotados manualmente para as categorias específicas do acervo, seguido da aplicação do modelo ajustado sobre o conjunto visual completo. Um limiar mínimo de confiança foi definido para descartar detecções pouco confiáveis, e sobreposições redundantes entre caixas delimitadoras de um mesmo objeto foram eliminadas automaticamente. Os resultados, incluindo classe predita, máscara de segmentação e índice de confiança, foram sobrepostos graficamente aos registros originais, compondo um sistema de catalogação semiautomático.

Sala de Moldagem
2019-2022. Coletânea de material iconográfico apresentada em sequência em monitor LCD embutido em moldura (46 × 26 cm). As imagens foram processadas por meio de técnicas de visão computacional (detecção de objetos e segmentação por instância), desenvolvidas em Python com as bibliotecas PyTorch e Detectron2.
2021. Resultados parciais da pesquisa apresentados no Congresso Estudos da Paisagem, durante a sessão temática Patrimônios em Silêncio, realizada pela Universidade Federal de Alagoas (UFAL).
2022. Exposição individual selecionada por edital público de ocupação da Galeria de Arte Nello Nuno, promovido pela Fundação de Arte de Ouro Preto. xposição individual realizada na Galeria de Arte Nello Nuno, em Ouro Preto (MG).