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Sergio Augusto Medeiros (n. 1993) é artista visual cuja prática se concentra no conhecimento tecnológico do tipo científico. Doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, mestre em Artes pela mesma instituição e graduado em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá. Suas pesquisas foram desenvolvidas em laboratórios, acervos, bibliotecas e coleções especiais de instituições científicas. Projetos de sua autoria, selecionados e premiados, foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, com participações em bienais, festivais e ocupações artísticas. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.

A apropriação de modelos de visualização utilizados na quantificação, descrição e classificação estrutura uma prática articulada a procedimentos de busca, análise e síntese voltados ao rastreamento histórico de conceitos, métodos e teorias provenientes de diferentes campos do conhecimento. Os projetos demandam formulações metodológicas de caráter experimental, bibliográfico, exploratório e ficcional, recorrendo a materiais referenciais. Seus desdobramentos assumem a forma de ilustrações, fotografias, programas computacionais, vídeos, instalações e publicações, enquanto determinadas etapas são compartilhadas em congressos, seminários e colóquios.

 

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Portfólio  

Currículo

Orcid

Lattes

Ativos da cultura visual de excessos, as imagens carregadas nas plataformas de relacionamento transbordam pelos ambientes de compartilhamento. Nesta interface catalisadora da superexposição da representação de si; veladamente ou não, performa-se. Sérgio Augusto toma as imagens deste espaço banalizado. No torvelinho desta nova ágora estabelece seu campo de observação qual um flâneur contemporâneo. Se apropria dos retratos e reconduz o tempo de sua aparição interrompendo o processo de dissolução dos posts no lifestreaming das superfícies digitais. Agrega tempo contemplativo às iconografias inseridas em um sistema de instantâneos. Forja memória como um biólogo a fazer taxidermia, deslocando os retratos de seu contexto original para outro suporte - um novo circuito, mantendo-os expostos. Valendo-se da visibilidade midiática dos comuns, opera com apropriação e deslocamento culminando em questões sobre obra, autoria e originalidade da arte. Noções presentes no pop com os deslocamento das imagens de massa quando introduzidas ao circuito de arte, em especial Warhol com as figuras míticas; e numa miríade de relações na arte contemporânea, entre outros, propostas por Levine, Rennó ou Costi.
Outra questão do trabalho de Sérgio Augusto são os interstícios que incidem na linguagem de um meio a outro, da fotografia para a pintura e na introdução de um jogo de espelhos de quem faz a representação, pois o artista intervém no controle do sujeito sobre sua própria imagem e cria espaço de diálogo. Em Retratos de Tinta a interferência na autoria ocorre agudamente nos autorretratos ao corroer a circularidade da relação fotógrafo-fotografado. O artista se inclui ao representá-lo e reconstrói a imagem na relação figura-fundo promovendo “espaços ausentes”, uma abertura no enquadramento. Interessante pensar que o autorretrato como recurso fotográfico aparece muito além da explosão meteórica que vivenciamos. Remonta a meados do século XIX, quando Cornelius ousou virar as lentes de seu daguerreótipo para si. Antes dele, no lago, Narciso fixou a seu modo sua imagem nas águas. No mito ou marco histórico está a autorrepresentação repleta de pulsões e desejos.  Nesta plasticidade da libido dos corpos fragmentados é que Sérgio opera e apesar de carregar a palavra retrato - demarcando a pintura e fotografia, Retratos de Tinta traz outras camadas à sua proposição artística como a aproximação e o diálogo. Fora do ambiente virtual da flânerie e da conexão íntima que reside em suas pinceladas para a construção da imagem, o artista adquire conquistas e fracassos na ativação destes relacionamentos. Agência espaços de interação devolvendo as imagens ressignificadas ao seu contexto original e deslocando-as para serem expostas no circuito de arte. Essas relações, um devir.
Rafaela Tasca, 2015.

Este projeto desenvolveu-se por meio da criação de um perfil virtual na plataforma Facebook, simulando um retratista homônimo. Esse perfil manteve-se ativo pela apropriação de selfies de membros da rede social, as quais foram coletadas, reconfiguradas em escala pictórica, posteriormente digitalizadas e, em seguida, repostadas. Ao serem reinseridas na plataforma, as pinturas foram automaticamente identificadas pelo algoritmo de reconhecimento facial, que acionou marcações, gerou postagens instantâneas e enviou convites para inserção nos álbuns de perfil dos retratados. O conjunto resultante reúne duzentos retratos organizados em sequência cromática, além de um conjunto de publicações, com destaque para o fascículo nº 0, concebido com o propósito de integrar-se à coletânea Gênios da Pintura, publicada em 1967 pela Editora Abril Cultural.

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Esta pesquisa foi desenvolvida durante o curso de graduação em Artes Visuais na Universidade Estadual de Maringá, com bolsa concedida pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná e premiada com o Prêmio Aniceto Matti em 2015. A banca examinadora foi composta por Annelise Nani da Fonseca e Roberta Stubs, sob a orientação de Sheilla Souza. O projeto também foi exibido em uma exposição individual no Museu de História e Artes Hélenton Borba Côrtes, em Maringá (PR).

Em suas imagens, predominam os rostos, ou melhor, os retratos. Um diálogo com a história da arte é possível. Poderíamos dizer que em Retratos de Tinta (I, II e III), Sérgio atualiza o que ficou conhecido como “pinturas de gênero”, isto é, as pinturas realizadas a partir do século XVII nos países baixos, que começaram a apresentar de modo detalhado as cenas da vida cotidiana: pessoas comuns, seus objetos comuns e sua vida comum. Os artistas buscavam nas situações corriqueiras aquele ato ou momento que merecesse ser retratado e preservado em tela, Sérgio parece buscar o mesmo em suas composições e procura estes atos dignos de representação onde está a vida do homem contemporâneo: nas redes sociais. Escolhe nas prateleiras do Facebook aquilo que lhe chama a atenção e, como faziam os expressionistas, tenta expressar de forma intuitiva e com uma técnica em constituição, sua visão pessoal. Dialogando com a herança pop da arte, utiliza pinks vibrantes, verdes cítricos e azuis cintilantes para espetacularizar os personagens “comuns”. E quando o próprio Sérgio retrata-se o que ocorre? Talvez verdadeiramente revele-se, construindo ficções (serão mesmo ficções?) sobre si.
Vinícius Stein, 2015.

Monografia (homônimo)

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) desenvolvido a partir de experimentações com fotografia, pintura, digitalização e postagens virtuais. Criação e manutenção de um perfil em plataforma online, coleta e reconfiguração pictórica de selfies, inserção das obras no ambiente digital e organização em fascículo experimental e revista-catálogo impressa em papel couché 80 g, com tiragem de 1.000 exemplares, apresentada na exposição individual premiada pelo Prêmio Aniceto Matti/2014. O protótipo incorpora um sistema de visualização digital composto por dois displays LCD de pequeno formato, controlados por microcomputador e montados em estrutura personalizada.

2012–2015

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