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A tese de doutorado é um gênero acadêmico-científico que segue metodologias específicas, as quais são configuradas pela abordagem temática da área especializada e que apresenta evidências através da análise de hipóteses. Composta por diversas áreas do conhecimento, métodos e processos relacionados ao desenvolvimento de descrições, como representações de assuntos, linguagens e códigos, a presente tese tem como objetivo descrever e formular a hipótese que deu origem a uma teoria científica, empregando regras metodológicas e procedimentos para garantir a validade e a consistência dos resultados obtidos. A teoria científica é uma estrutura que visa descrever, prever e controlar os fenômenos através de evidências empíricas, leis, hipóteses, modelos e conceitos. Para investigar um problema de pesquisa específico, foi adotada uma abordagem temática e sistemática, seguindo etapas de observação, formulação de hipótese, teste, análise dos resultados e validação. Ao combinar a formatação da tese com a metaforização, a edição busca simular o próprio conceito de tese para identificar as hierarquias e as convenções do método científico.  

Esta pesquisa foi realizada durante o doutorado em Artes Visuais no Programa de Pós-graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, com bolsa fornecida pela CAPES. Parte do projeto foi desenvolvido no Centro de Microscopia da UFMG. A banca examinadora foi composta por Fabio Morais, Raquel Stolf,  Rodrigo Borges e Yiftah Peleg.  Orientação de Amir Brito Cadôr. Em 2024, a obra será exibida em uma exposição individual no Centro Cultural da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A banca destaca a pesquisa de doutorado enquanto tese-obra, que apresenta coerência e consistência em sua metodologia e sua forma de apresentação, em sua articulação entre arte e ciência e a problematização dos limites da pesquisa em artes. A banca destaca ainda a construção gráfica-editorial da tese e recomenda a sua publicação e circulação.

EM TEORIA

2019-2023

tese de doutorado

microscopia de fluorescência

software ZEN 3.7

visualizar/abrir no repositório

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A capa da tese parece uma ode à observação como um método visual da prática científica: uma usina imagética. Será que na arte, a imagem também faz parte de um método de trabalho, além de ser obra em si? É a primeira questão que me ocorre. Em Teoria é uma pesquisa em artes visuais que aborda o ato de observação e, consequentemente, a imagem, intercambiando os campos da arte e da ciência. A pesquisa parece demarcar (como um marca texto fosforescente) as diferenças ético-estéticas – ou talvez as semelhanças – entre os processos de produção imagética de artistas e cientistas. Ultrassons têm base sonora e ressonâncias magnéticas captam sinais de radiofrequência. Ambos traduzem esses dados em imagens que se tornam simulacros do corpo, no imaginário geral. Nesse imaginário, construído a partir da medicina, o interno do corpo é colorido, como nos atlas de anatomia, ou é monocromático, na gama de cinzas de raios-X, ultrassons e tomografias. A tese não se limita ao imagético e me lembra que, além da visual, a ciência é discursada em linguagem verbal. É ela que produz postulados sob o modelo discursivo teórico e também sob modelos comunicacionais que dialogam facilmente com a sociedade – podendo, inclusive, narrar pesquisas e processos do mesmo modo como romancistas fazem, com analogias, metáforas, jogos de linguagens, arcos narrativos etc. A tese narra métodos de pesquisas assistidos (tal qual espetáculo) pelo leitor-observador-usuário-você, ou vivenciados (performados), através de procedimentos e de resultados traduzidos em cores, emissões de luz e fosforescências que tornam-se linguagem. Fala também de nomeações e codificações, rotulagens de instrumentos e de dados no canteiro de obras da prática de pesquisa científica, coisas que geram um sistema estético, um design físico e gráfico, que organiza o trabalho que gera, entre outras coisas, esse próprio design. A tese rotula ainda uma série de postulados e os distribui em um glossário ético-funcional que mapeia procedimentos e, ao mesmo tempo, evidencia o quanto esses procedimentos seriam, digamos, cartesianos demais no campo da arte. Não que esse glossário não possa ser usado em uma pesquisa acadêmica artística, claro que pode, mas com certeza a práxis artística chegaria a limites que precisariam ser subvertidos e ultrapassados, fazendo do glossário mais uma partitura de performance que lida com a contingência do que um rígido manual de pesquisa.

Fabio Morais, 2023

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