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Sergio Augusto Medeiros (1993) possui graduação em Artes Visuais pela Universidade Estadual de Maringá e títulos de mestre e doutor em Artes pelo Programa de Pós-Graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais. Suas pesquisas foram subsidiadas pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pela Fundação Araucária de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Estado do Paraná. Seus projetos foram apresentados em exposições individuais e coletivas em instituições culturais nacionais e internacionais, além de participações em bienais, festivais, ocupações artísticas e eventos científicos. Recebeu prêmios e reconhecimentos em editais e programas públicos. Vive e trabalha em Belo Horizonte, Brasil.

 

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A tese de doutorado é um gênero acadêmico-científico que segue metodologias específicas, as quais são configuradas pela abordagem temática da área especializada e que apresenta evidências através da análise de hipóteses. Composta por diversas áreas do conhecimento, métodos e processos relacionados ao desenvolvimento de descrições, como representações de assuntos, linguagens e códigos, a presente tese tem como objetivo descrever e formular a hipótese que deu origem a uma teoria científica, empregando regras metodológicas e procedimentos para garantir a validade e a consistência dos resultados obtidos. A teoria científica é uma estrutura que visa descrever, prever e controlar os fenômenos através de evidências empíricas, leis, hipóteses, modelos e conceitos. Para investigar um problema de pesquisa específico, foi adotada uma abordagem temática e sistemática, seguindo etapas de observação, formulação de hipótese, teste, análise dos resultados e validação. Ao combinar a formatação da tese com a metaforização, a edição busca simular o próprio conceito de tese para identificar as hierarquias e as convenções do método científico.

Esta pesquisa foi realizada durante o doutorado em Artes Visuais no Programa de Pós-graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, com bolsa fornecida pela CAPES. Parte do projeto foi desenvolvido no Centro de Microscopia da UFMG. A banca examinadora foi composta por Fabio Morais, Raquel Stolf, Rodrigo Borges e Yiftah Peleg. Orientação de Amir Brito Cadôr. Em 2024, a obra foi apresentada como uma instalação durante a mostra individual homônima no Centro Cultural da UFMG.

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Será que na arte, a imagem também faz parte de um método de trabalho, além de ser obra em si? É a primeira questão que me ocorre. Em Teoria é uma pesquisa em artes visuais que aborda o ato de observação e, consequentemente, a imagem, intercambiando os campos da arte e da ciência. A pesquisa parece demarcar (como um marca texto fosforescente) as diferenças ético-estéticas – ou talvez as semelhanças – entre os processos de produção imagética de artistas e cientistas. Ultrassons têm base sonora e ressonâncias magnéticas captam sinais de radiofrequência. Ambos traduzem esses dados em imagens que se tornam simulacros do corpo, no imaginário geral. Nesse imaginário, construído a partir da medicina, o interno do corpo é colorido, como nos atlas de anatomia, ou é monocromático, na gama de cinzas de raios-X, ultrassons e tomografias. A tese não se limita ao imagético e me lembra que, além da visual, a ciência é discursada em linguagem verbal. É ela que produz postulados sob o modelo discursivo teórico e também sob modelos comunicacionais que dialogam facilmente com a sociedade – podendo, inclusive, narrar pesquisas e processos do mesmo modo como romancistas fazem, com analogias, metáforas, jogos de linguagens, arcos narrativos etc. A tese narra métodos de pesquisas assistidos (tal qual espetáculo) pelo leitor-observador-usuário-você, ou vivenciados (performados), através de procedimentos e de resultados traduzidos em cores, emissões de luz e fosforescências que tornam-se linguagem. Fala também de nomeações e codificações, rotulagens de instrumentos e de dados no canteiro de obras da prática de pesquisa científica, coisas que geram um sistema estético, um design físico e gráfico, que organiza o trabalho que gera, entre outras coisas, esse próprio design. A tese rotula ainda uma série de postulados e os distribui em um glossário ético-funcional que mapeia procedimentos e, ao mesmo tempo, evidencia o quanto esses procedimentos seriam, digamos, cartesianos demais no campo da arte. Não que esse glossário não possa ser usado em uma pesquisa acadêmica artística, claro que pode, mas com certeza a práxis artística chegaria a limites que precisariam ser subvertidos e ultrapassados, fazendo do glossário mais uma partitura de performance que lida com a contingência do que um rígido manual de pesquisa.

Fabio Morais, 2023

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Como desdobramento da tese de doutorado, a investigação em fluorescência centrada na aplicação do fluxo óptico expandiu-se para a criação de uma ambientação  baseada nos mesmos princípios ópticos que regem os processos de excitação e emissão dos fluoróforos. A instalação utiliza luz ultravioleta como componente ativo da experiência perceptiva, recriando a condição controlada e escurecida exigida para a captação da fluorescência em microscopia. Assim como os cubos de filtros específicos para DAPI, GFP, TRITC, mRFP e Cy5 permitem a segmentação espectral em faixas determinadas, essa faixa do espectro atua como agente modulador da visibilidade, reorganizando o espaço a partir de frequências lumínicas específicas.

Em Teoria 

Tese de Doutorado

Banco de amostras biológicas obtidas por meio de análises em microscopia eletrônica, processadas com o software ZEN 3.7. Instalação composta por vídeo e banner acadêmico impressos em suportes específicos, cada um com dimensões de 140 × 100 cm, em série de 10 unidades. Ambientação com iluminação controlada fluorescente a partir de lâmpada tubular ultravioleta, com dimensões variáveis. Arquivo digital disponível no Repositório UFMG.

2019–2023

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