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A tese de doutorado é um gênero acadêmico-científico que segue metodologias específicas, as quais são configuradas pela abordagem temática da área especializada e que apresenta evidências através da análise de hipóteses. Composta por diversas áreas do conhecimento, métodos e processos relacionados ao desenvolvimento de descrições, como representações de assuntos, linguagens e códigos, a presente tese tem como objetivo descrever e formular a hipótese que deu origem a uma teoria científica, empregando regras metodológicas e procedimentos para garantir a validade e a consistência dos resultados obtidos. A teoria científica é uma estrutura que visa descrever, prever e controlar os fenômenos através de evidências empíricas, leis, hipóteses, modelos e conceitos. Para investigar um problema de pesquisa específico, foi adotada uma abordagem temática e sistemática, seguindo etapas de observação, formulação de hipótese, teste, análise dos resultados e validação. Ao combinar a formatação da tese com a metaforização, a edição busca simular o próprio conceito de tese para identificar as hierarquias e as convenções do método científico.

 

Esta pesquisa foi realizada durante o doutorado em Artes Visuais no Programa de Pós-graduação em Artes da Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais, com bolsa fornecida pela CAPES. Parte do projeto foi desenvolvido no Centro de Microscopia da UFMG. A banca examinadora foi composta por Fabio Morais, Raquel Stolf, Rodrigo Borges e Yiftah Peleg. Orientação de Amir Brito Cadôr. Em 2024, a obra foi apresentada como uma instalação durante a mostra individual homônima no Centro Cultural da UFMG. 

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Será que na arte, a imagem também faz parte de um método de trabalho, além de ser obra em si? É a primeira questão que me ocorre. Em Teoria é uma pesquisa em artes visuais que aborda o ato de observação e, consequentemente, a imagem, intercambiando os campos da arte e da ciência. A pesquisa parece demarcar (como um marca texto fosforescente) as diferenças ético-estéticas – ou talvez as semelhanças – entre os processos de produção imagética de artistas e cientistas. Ultrassons têm base sonora e ressonâncias magnéticas captam sinais de radiofrequência. Ambos traduzem esses dados em imagens que se tornam simulacros do corpo, no imaginário geral. Nesse imaginário, construído a partir da medicina, o interno do corpo é colorido, como nos atlas de anatomia, ou é monocromático, na gama de cinzas de raios-X, ultrassons e tomografias. A tese não se limita ao imagético e me lembra que, além da visual, a ciência é discursada em linguagem verbal. É ela que produz postulados sob o modelo discursivo teórico e também sob modelos comunicacionais que dialogam facilmente com a sociedade – podendo, inclusive, narrar pesquisas e processos do mesmo modo como romancistas fazem, com analogias, metáforas, jogos de linguagens, arcos narrativos etc. A tese narra métodos de pesquisas assistidos (tal qual espetáculo) pelo leitor-observador-usuário-você, ou vivenciados (performados), através de procedimentos e de resultados traduzidos em cores, emissões de luz e fosforescências que tornam-se linguagem. Fala também de nomeações e codificações, rotulagens de instrumentos e de dados no canteiro de obras da prática de pesquisa científica, coisas que geram um sistema estético, um design físico e gráfico, que organiza o trabalho que gera, entre outras coisas, esse próprio design. A tese rotula ainda uma série de postulados e os distribui em um glossário ético-funcional que mapeia procedimentos e, ao mesmo tempo, evidencia o quanto esses procedimentos seriam, digamos, cartesianos demais no campo da arte. Não que esse glossário não possa ser usado em uma pesquisa acadêmica artística, claro que pode, mas com certeza a práxis artística chegaria a limites que precisariam ser subvertidos e ultrapassados, fazendo do glossário mais uma partitura de performance que lida com a contingência do que um rígido manual de pesquisa.

Fabio Morais, 2023

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Como desdobramento da tese de doutorado, a investigação em fluorescência centrada na aplicação do fluxo óptico expandiu-se para a criação de uma ambientação  baseada nos mesmos princípios ópticos que regem os processos de excitação e emissão dos fluoróforos. A instalação utiliza luz ultravioleta como componente ativo da experiência perceptiva, recriando a condição controlada e escurecida exigida para a captação da fluorescência em microscopia. Assim como os cubos de filtros específicos para DAPI, GFP, TRITC, mRFP e Cy5 permitem a segmentação espectral em faixas determinadas, essa faixa do espectro atua como agente modulador da visibilidade, reorganizando o espaço a partir de frequências lumínicas específicas.

Em Teoria 

Tese de Doutorado

Banco de amostras biológicas obtidas por meio de análises em microscopia eletrônica, processadas com o software ZEN 3.7. Instalação composta por vídeo e banner acadêmico impressos em suportes específicos, cada um com dimensões de 140 × 100 cm, em série de 10 unidades. Ambientação com iluminação controlada fluorescente a partir de lâmpada tubular ultravioleta, com dimensões variáveis. Arquivo digital disponível no Repositório UFMG.

2019–2023

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